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  Resumo dos Melhores Artigos Científicos:

Dr. Flávio Rezende/Dr. Flávio Rezende Filho


Anestesia tópica versus anestesia peribulbar em cirurgia de catarata

Stan Roman, MD, Francois Auclin, MD, Martine Ullern, MD

(J. Cataract and Refractive Surgery - vol.22, October 1996, pages 1121-1124)


Com os avanços das técnicas de facoemulsificação com incisão auto selante e LIOs dobráveis, ressurgiu o interesse na anestesia tópica para a moderna cirurgia de facectomia, primeiro publicado em 1992 (R.A. Fichman, "Topical eyedrops replace injection for anesthesia", Ocular Surgery News, March 1, 1992, pages 20-21).

Uma vez que vem crescendo o número de adeptos à utilização da técnica com anestesia tópica, os autores tiveram como objetivo, avaliar as diferenças entre a anestesia tópica com tetracaína 1% sem preservativo (4 gotas 10 min. antes, 4 gotas 5 min. antes e 4gotas 1 min. antes da cirurgia) e a anestesia peribulbar com uma solução de 10 ml 50/50 de lidocaína 2% com bupivacaína 0.5%.

Foram incluídos 45 pacientes com indicação cirúrgica bilateral, sendo utilizada em cada olho uma das técnicas em questão, a primeira escolhida randomicamente.

Todas as cirurgias foram realizadas pelo mesmo cirurgião, que em todos os olho adotou a técnica de facoemulsificação "divide and conquer" com incisão tunelizada auto selante corneana temporal e implante de LIO dobrável.

Os pacientes tinham que graduar a sensação ou percepção de dor numa escala de 0-4; 1-durante a anestesia, 2-durante a cirurgia, 3- no pós-operatório.

Foram perguntados qual método anestésico preferiram e porque.

Os resultados em relação a melhor acuidade visual corrigida com 1 mês de pós-operatório foram similares.

28 pacientes (62,2%) preferiram anestesia tópica, sendo enfatizado a ausência de injeção periocular (22.5% relataram dor durante a injeção), 6 (13,3%) apontaram anestesia peribulbar e 11 (24.5%) não tiveram preferência.

A discussão abordou os riscos da injeção peribulbar, como ptose (1 caso), equimose (2 casos), perfuração ocular, lesão de n. óptico,…; e salientou a eliminação destes riscos e outros benefícios com a anestesia tópica como: 82,2% não necessitaram medicação intra-venosa; a recuperação visual é mais rápida; é mais barata; não há necessidade de suspender medicação anti-coagulante.

A principal desvantagem citada pelo cirurgião foi a falta de acinesia ocular, dificultando o procedimento. Qualquer distensão zonular pode causar dor, sendo indicado abaixar o frasco de BSS para reduzir o influxo de líquido durante inserção da ponta do faco, para evitar deslocamento posterior da catarata e consequente distensão.

Segundo os autores, deve-se evitar contato com a íris e aspirar todo o viscoelástico para evitar aumento da PIO e dor. Citam como chave para o sucesso da facectomia com anestesia tópica a comunicação entre paciente e cirurgião. Defeitos de audição e demência são contra-indicações. É importante prevenir que em certos momentos haverá sensação de "pressão" não de dor.

Concluindo o trabalho, a anestesia tópica foi considerada um método efetivo e confiável para a facectomia, tendo inúmeros benefícios sobre a anestesia peribulbar e um alto índice de satisfação do paciente. A maior dificuldade da técnica pela mobilidade ocular requer cirurgiões experientes.

Na direção de invadir cada vez menos o globo ocular na cirurgia da catarata, a anestesia tópica pode substituir outros métodos anestésicos em muitos casos.

Resumo dos Melhores Artigos Científicos

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