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Resumo dos Melhores Artigos Científicos

Laurentino Biccas Neto


RECURRENT OCULAR TOXOPLASMOSIS IN PATIENTS TREATED WITH SYSTEMIC CORTICOSTEROIDS


Retina 16:383-387,1996.

Mourhun Patrick J.; Weisz, James M.; Elias, Samuel Holland, Gary N.

A polêmica relação entre uso sistêmico de corticóides e reativação de toxoplamose ocular é abordada neste relato de 3 casos coletados ao longo de 10 anos no Jules Stein Eye Institute.
Trata-se de três pacientes que, sob corticoterapia em doses convencionais, em período de 20 dias a 1 ano desenvolveram lesões típicas de retinocoroidite por toxoplasmoseicidivada, facilmente controladas com a medicação de rotina.
Os autores, em boa revisão do assunto, lembram os possíveis papéis dos corticóides nas reicidivas: a diminuição da competência imunológica facilitaria a reativação de cistos satélites? Poderia, de outra forma, facilitar a disseminação de organismos presentes em outras áreas?
De forma oportuna, lembram que se a toxoplasmose é tão prevalente e a corticoterapia tão freqüente, porque somente raros casos de associação entre ambos são relatados?
Concluem que não se pode afirmar que há correlação entre corticoterapia sistêmica e reativação de toxoplasmose ocular, mas que na eventualidade de reativação de foco toxoplasmático, a corticoterapia pode ter papel facilitador na replicação do parasita.


 MULTIPLE RECURRENT BRANCH RETINAL ARTERY OCCLUSIONS ASSOCIATED WITH VARICELLA ZOSTER VIRUS


Retina 16:399-404, 1996.

Zamora, Rene L. et al.

Os autores descrevem oclusões múltiplas e recorrentes de ramo de artéria central da retina em paciente imunocompetente, relacionadas ao vírus varicella zoster (VVZ). As oclusões foram múltiplas em um dos olhos e progressiva no outro, associadas à vitreíte importante.
Após investigação sistêmica inconclusiva, a biópsia vítrea obtida por vitrectomia via pars plana foi positiva para VVZ pela técnica da PCR (Polymerase Chain Reaction).
A paciente foi então tratada com aciclovir EV e corticóides orais, apresentando melhora do quadro. Duas recorrências foram tratadas com aciclovir e corticóides orais, estando livre de recorrências após 16 meses (1 ano em manutenção com aciclovir oral).
O quadro difere daquele da Necrose Retiniana Aguda pela ausência de retinite, e ressalta a importante participação dos Herpesvírus na etiologia de afecções do segmento posterior mesmo na ausência de manifestações cutâneas.
Pela primeira vez descobre-se uma etiologia para as oclusões múltiplas recorrentes de ramo de artéria central da retina, descritas inicialmente por Gass como sendo idiopáticas.

 


CLINICOPATHOLOGIC CORRELATIONS IN ACUTE RETINAL NECROSIS CAUSED BY HERPES SIMPLEX VIRUS TYPE 2


Archives of Ophthalmology 114:1416-1419, 1996.

Rahhal, Firas M. et al.

Os autores descrevem um caso bem documentado de Necrose Retiniana Aguda causada por Herpes Simples tipo II em indivíduo imunocompetente após submeter-se à craniotomia parexérese de meningiofaringioma.
Sob a forma de grave uveíte difusa bilateral, com vitreíte e descolamento de retina, a necrose retiniana teve desfecho dramático apesar do tratamento com aciclovir endovenoso. O diagnóstico etiológico deu-se por biópsia retiniana e estudos liquóricos. A importância deste relato reside no fato de comprovar o envolvimento deste Herpes vírus na etiologia da Necrose Retiniana Aguda.

 


ULTRASOUND BIOMICROSCOPY OF SHALLOW ANTERIOR CHAMBER IN VOGT-KOYANAGI-HARADA SYNDROME


American Journal of Ophthalmology 122:112-114, 1996.

Gohdo, T.; Tsukahara, S.

Estudado um caso de Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada, os autores reexplicam o Sinal descrito por Kimura, da atenuação da câmara anterior. Na descrição original, Kimura atribui o edema crônico dos processos ciliares a atenuação encontrada. Graças à ultrassonografia biomicroscópica verificou-se, no entanto, que a existência de efusão supracoróidea seria a responsável pela rotação anterior do corpo ciliar - que regridiria com corticoterapia - atenuando a câmara anterior.

 


INDOCYANINE GREEN ANGIOGRAPHIC FINDINGS IN VOGT-KOYANAGI-HARADA DISEASE


American Journal of Ophthalmology 122:58-66, 1996.

Oshima, y. et al.

Os autores compararam de forma prospectiva os achados à Indocianina verde (por SLO ou infra vermelho) com os da angiografia fluoresceínica e SLO, em 10 pacientes portadores de Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada em sua fase aguda e de recuperação pós-corticoterapia.
Na fase aguda, observaram hipofluorescência de fundo na coróide, mesmo com o enchimento dos vasos retinianos, compatível com dificuldade de enchimento arterial coroideano. Nas fases intermediárias, noratam múltiplas áreas hipofluorescentes entremeadas por alguns pontos hiperfluorescentes, ainda demonstrando sofrimento coroideano causando distúrbios na sua circulação.
Na fase de recuperação após corticoterapia, a hipofluorescência de fundo desapareceu, mas persistiram os pontos de hipo e hiperfluorescência. Por fim, concluem que as alterações coróideas inflamatórias podem causar desregulação transitória nesta circulação, o que poderia secundariamente cursar com danos ao epitélio pigmentaretiniano observados à fundoscopia.

 


A RANDOMIZED, MASKED, CROSS-OVER TRIAL OF ACETAZOLAMIDE FOR CYSTOID MACULAR EDEMA IM PATIENTSWITH UVEITIS


Ophthalmology 103:1054-1063, 1996.

Whitcupp, Scott M. Et al.

Este importante estudo prospectivo, randomizado, duplo-mascarado e cruzado (cross-over) inclui quarenta pacientes com edema macular cistóideo associado a uveíte crônica de qualquer topografia, onde se comparou a resposta à Acetazolamida (500mg 2x/d/4sem) comparada com àquela ao placebo. De maneira engenhosa, após o primeiro curso de 4 semanas com placebo ou Acetazolamida, os pacientes aguardavam por mais quatro semanas (wash out) para submeterem-se a outro ciclo de 4 semanas com a outra medicação em estudo. Os resultados eram tão comparados, levando-se em conta acuidade visual e área de edemacistóideo medida nas fases tardia de angiofluoresceinografia.
Trinta e sete pacientes completaram o estudo. Destes, 17 (46%) foram randonizados para receber acetazolamida na primeira etapa, contra 20 (54%) recebendo placebo. O uso de acetazolamida resultou numa diminuição de 0,5 área de disco óptico (25%) do edema cistóideo (IC 95% = -2 a 3; p = 0,61).
Os autores concluem que o efeito da acetazolamida a curto prazo deva ser inferior ao previamente pensado, e especulam se o efeito a longo prazo poderia ser benéfico com relação à melhora funcional, uma vez que houve de forma significativa, uma melhora morfológica.

 

Resumo do Melhores Artigos Científicos

Sociedade Brasileira de Uveítes

 

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