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Um
Oftalmologista Brasileiro em Timor Leste |
| “Creio que um acordo através dos Ministérios da Saúde dos dois países poderia concretizar a expansão internacional do trabalho realizado pelo CBO aqui no Brasil, como as Campanhas Olho no Olho e da Catarata”
Esta é a opinião de Hailton Antônio Casara Cavalcante, capitão do Exército Brasileiro, adjunto da Clínica Oftalmológica do Hospital Geral do Recife (Hospital do Exército) que foi um dos componentes da equipe de saúde do 5º Contingente do Exército Brasileiro em sua missão no Timor Leste.
O 5º Contingente Brasileiro no Timor Leste foi formado por 69 militares do 4º Batalhão de Polícia do Exército (4º BPE) sediado em Olinda (PE). Partiu do Brasil em 20 de julho de 2001 e a missão terminou em 12 de janeiro de 2002. A equipe de saúde foi composta por dois médicos, um dentista e três auxiliares de enfermagem. Um dos médicos
e um auxiliar de
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No aeroporto de Baucau (Timor Leste), retornando ao Brasil depois da missão cumprida. Em pé da esquerda para a direita: Guilherme Fernando de Andrade, Alcides Reis de Souza Junior e Hailton Casara. Abaixados: João Brasileiro Damásio da Costa, Wahsington Belarmino da Paixão e Adriano Veríssimo da Silva |
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enfermagem ficaram na região de Batugade (fronteira com o Timor Oeste - Indonésia) e os outros na capital,
Dili.
Além do capitão Hailton Casara, participaram da equipe de saúde do 5º Contingente Brasileiro no Timor Leste o capitão Dentista Alcides Reis de Souza Júnior, o 1º Tenente Médico Guilherme Fernando de Andrade, o Cabo Washington Belarmino da Paixão (auxiliar de enfermagem), o Cabo Adriano Veríssimo da Silva (auxiliar de enfermagem) e o Cabo João Brasileiro Damásio da Costa (auxiliar de enfermagem).
Trabalhando em horário integral (24 horas por dia), os integrantes da equipe atenderam militares brasileiros, observadores militares, integrantes de contingentes militares de outras nações, funcionários da ONU e de organizações internacionais e, principalmente, a população local.
A equipe de saúde do 5º Contingente do Exército Brasileiro foi responsável por 3.373 atendimentos médico-oftalmológicos, distribuídos da seguinte forma: Em
Dili, os médicos atenderam 1.609 civis e 406 militares e em Batugade 525 civis e 132 militares. Foram realizados 324 atendimentos odontológicos de civis e 387 de militares.
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População Timorense
recebendo atendimento médico
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| Deste total, de acordo com Hailton Casara, houve 154 atendimentos oftalmológicos (121 civis e 33 militares): conjuntivites (47), processos inflamatórios palpebrais (19), pterígios (17), ametropias (8), presbiopia (9), catarata (3), corpo estranho na córnea (4), abrasão corneana (3), úlcera de córnea (2), ceratite bolhosa (3) e outras patologias (39). Entre a população civil, as patologias mais frequentes eram doenças gastro-intestinais (diarréias, epigastralgias), patologias de vias aéreas superiores (gripe, resfriados, faringites), patologias dermatológicas (micoses, piodermites), patologias osteomusculares (astralgias, lombalgias), patologias de vias aéreas inferiores (bronquites, pneumonias, turberculose) e doenças endêmicas (dengue, malária, tuberculose). |
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Meninas em trajes
típicos do país
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Atendimento
a refugiados
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Depoimentos
sobre a Missão |
Reconstrução...
“Existiam muitas casas destruídas (queimadas) pela ação dos milicianos antes da chegada das tropas da ONU em 1999. Atualmente, encontram-se em fase de reconstrução. Com a situação de segurança e tranqüilidade conquistados pela presença da Força de Paz da ONU, o mais novo país do novo milênio encontra-se em fase de reconstrução. Aos poucos, as atividades econômicas e comercias estão retornando. Já podemos encontrar hotéis, restaurantes, supermercados, lojas diversas, escolas reconstruídas, faculdades, igrejas. Uma das escolas foi totalmente reformada pelo V Contingente Brasileiro e recebeu o nome de Escola Duque de Caxias, em homenagem ao Patrono do Exército Brasileiro”...
Timorenses e o Brasil...
“A população timorense se identificou muito com os brasileiros. Nos receberam como irmãos. Nota-se a admiração pelos brasileiros nos seus atos: ao passarmos de viatura pelas diversas localidades as crianças gritam “Brasil” e cantarolam a “Aquarela Brasileira”. É muito emocionante sermos reconhecidos, do outro lado do Mundo, como um povo irmão, que tem o espírito de fraternidade e solidariedade. Todas as equipes de saúde do Exército Brasileiro que por lá passaram realizaram atendimentos à população carente, seja em ONG (AMI) ou em áreas isoladas como Atauro (ilha em frente à
Dili) e as montanhas (vilarejos). Os médicos que ficam na fronteira (Batugade - 2º Pelotão de Força de Paz) fazem atendimento aos refugiados que atravessam a fronteira, provenientes do Timor Oeste (pertencente a Indonésia)”...
Atendimento médico...
“Existe em Dili (capital) um hospital de médio porte (Hospital Municipal de Dili) com centro cirúrgico, emergência, laboratório e enfermarias. Existem outros hospitais de pequeno porte em algumas cidades. Existem vários postos de saúde funcionando de maneira precária em algumas cidades, onde auxiliares de enfermagem são os responsáveis pelos atendimentos à população. Atualmente, existem no Timor Leste muitos brasileiros e portugueses voluntários e contratados (professores, religiosos, representantes da Pastoral da Criança, Alfabetização Solidária, Ensino à Distância, Senai e Sebrae). Estão realizando convênios com instituições brasileiras (saúde e educação) para a formação de recursos humanos em diversas áreas. Além disso, já existem médicos brasileiros contratados que trabalham no Timor Leste. O vice-ministro da saúde tem bom relacionamento com as equipes de saúde brasileiras, pois trabalhava na mesma ONG (AMI) antes de assumir o novo cargo. O administrador transitório do Timor Leste foi um brasileiro, Dr. Sérgio Vieira de Melo, o qual goza de grande prestígio e admiração por todas as nações ali presentes. Existem também diplomatas brasileiros residindo no Timor Leste. |
Creio que um acordo através dos Ministérios da Saúde dos dois países poderia concretizar a expansão internacional do trabalho realizado pelo CBO aqui no Brasil, como as Campanhas Olho no Olho e da Catarata.
Areca...
“É costume dos timorenses mascar areca (uma folha) misturada com cal, segundo eles para prevenção de cáries nos dentes e para “passar a fome”. Porém os mascadores de areca apresentam uma coloração avermelhada nos dentes (formando uma espécie de crosta) e gengivites, muitas vezes com sangramentos gengivais. Notamos também uma maior freqüência de episgastralgias nessas pessoas. Atendemos alguns casos de acidentes domésticos com cal nos olhos...”
Tais...
“Os timorenses de ambos os sexos usam como vestuário uma espécie de saia de algodão chamada de tais. Os homens a usam em volta da cintura e as mulheres em volta de todo o corpo. Os tais também são tradicionalmente presenteados as pessoas que eles gostam (amigos, autoridades), os quais são colocados em volta do pescoço como um cachecol. Nas solenidades de entrega de medalhas dos militares que estão retornando para o Brasil é comum o recebimento desses tais pela população local como reconhecimento pelos serviços prestados ao seu país”...
Cristo Redentor...
Em Dili existe um Cristo Redentor em cima de um morro há cerca de 10 Km do centro da cidade. O mesmo foi colocado em cima de um globo terrestre e tem os braços entreabertos em direção ao mar. Para chegar até o mesmo temos que percorrer uma longa escadaria, na margem da qual foram colocadas pequenas grutas com gravuras das 12 passagens da Via Sacra. Lá de cima o visual é impressionante”...
Música brasileira...
“Os timorenses gostam muito de música brasileira. Para nossa surpresa existe uma rádio local que toca música brasileira. Quando lá chegamos, ouvimos muito “Morango do Nordeste” de Lairton e seus Teclados, o qual fez muito sucesso também com a tropa portuguesa”...
Vendas nas ruas...
“É muito comum ver nas ruas de Dili o comércio ambulante de todo tipo de produtos vendidos amarrados nas extremidades de uma vareta de madeira, a qual é carregada nos ombros (porcos, peixes, galinhas, carnes, vegetais, frutas etc). Combustíveis são vendidos nas calçadas em garrafas plásticas (não existiam postos de combustíveis civis)”... |
| O Timor é uma ilha de 32.225 Km² localizada entre as ilhas da Indonésia e o Norte da Austrália. O Timor Leste corresponde à parte oriental (leste) da ilha, com cerca de 18.845 Km² (pouco maior que o Estado de Sergipe), a cerca de 500 Km de distância da costa australiana e a 2,5 mil Km a leste de Jacarta, capital da Indonésia. É um dos países mais pobres do mundo com uma renda per capita de U$ 478, de acordo com o Progrma das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Tem aproximadamente 820 mil habitantes.
Descoberta pelos portugueses em 1512 e foi colonia portuguêsa até 1975, quando a antiga potência colonial se retira em meio a uma breve guerra civil, que opõe basicamente duas facções: a União Democrática de Timor
(UDT), favorável à integração de Timor Leste à Indonésia, e a autonomista Frente Revolucionária do Timor Leste Independente
(Fretilin).
Após intensos combates, a Fretilin proclama a independência em novembro de 1975, apoiada pela maioria da população local. Dias depois, a Indonésia invade Timor Leste com o apoio dos EUA e em julho de 1976 transforma o território em sua 27ª província, apesar da reprovação da ONU.
Tem início então a uma longa guerra de guerrilhas contra a ocupação que vitimou aproximadamente 200 mil timorenses. Além da repressão militar, o governo indonésio reforçou a adoção da língua indonésia na região e a islamização dos habitantes - majoritariamente católicos.
Em janeiro de 1999, B. J. Habibie, Presidente da Indonésia, surpreendeu a todos ao anunciar que concederia a independência ao Timor Leste, caso um referendo decidisse por ela. Esta declaração aumentou a violência das forças políticas contrárias à autonomia.
Em 30 de agosto de 1999 foi realizado o referendo popular e a maioria da população optou pela independência. As milícias contrárias à indepêndencia recrudescem sua ação cometendo violências de todo tipo contra a população civil, o que levou a ONU a autorizar a ação de uma coalizão de países, liderados pela Austrália, para restabelecer a paz. É criada uma força militar de intervenção, a
INTERFET, da qual o Brasil participa enviando tropas do exército.
A ONU instalou então no Timor Leste uma Administração transitória, chefiada pelo brasileiro Sérgio Vieira de Melo. Foram realizadas eleições gerais, vencidas por José Alexandre Xanana Gusmão, um dos líderes da resistência timorense. Em 20 de maio de 2002, o chefe da administração transitória da ONU entregou simbolicamente as chaves do país para o presidente eleito, representando a indepêndencia e a criação do novo país.
A presença do Exército Brasileiro no Timor Leste comecou em julho de 1999, quando foram enviados observadores militares. Em 03 de outubro do mesmo ano chega o 1º Contingente do Exército Brasileiro à região, integrante da força internacional, com a missão de garantir a segurança de autoridades e de pontos sensíveis, realizar patrulhas de segurança e reconhecimento, controle de distúrbios, escolta de comboios, controle de trânsito, auxílio humanitário e investigações. |
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