I Workshop de Retinopatia da Prematuridade

Ocorrido de 03 a 05 de outubro no Instituto Brasileiro de Oftalmologia, Rio de Janeiro, o I Workshop de Retinopatia da Prematuridade (ROP) reuniu 67 participantes entre oftalmologistas, pediatras, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, ortoptistas, um advogado e um especialista em telemedicina. O evento foi organizado pela Agência Internacional de Prevenção da Cegueira - IAPB (com suporta do programa Visão 2020), e pelo Instituto Vidi, Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), com o apoio financeiro da Christoffel-Blinden Mission, Opto Eletrônica, Hoya e Alcon. 

Calcula-se que das 100.000 crianças cegas na América Latina, 24.000 são cegas em decorrência da ROP. Os dados referentes ao Brasil são de difícil determinação, já que não há nenhum programa de diagnóstico ou tratamento a nível nacional, mas sim iniciativas isoladas em algumas unidades públicas e privadas, que utilizam diferentes critérios de diagnóstico e tratamento.

Em 2001, houve 3.5 milhões de nascidos vivos no País, dos quais cerca de 0,9% apresentaram peso de nascimento (PN) igual ou inferior a 1.500g (aproximadamente 30.000/por ano). Os participantes do I Workshop de Retinopatia da Prematuridade estimaram que 75% dos prematuros têm acesso a cuidados intensivos neonatais e que a sobrevidade recém nascidos (RN) com PN inferior a 1.500g encontra-se em torno de 60%. 


Participantes do workshop

Uma das sessões do evento
 
Desta forma, estima-se que no Brasil a cada ano sobrevivem em torno de 15.000 prematuros em risco de desenvolver ROP, que necessitam de exame de triagem para o diagnóstico. Há alguma  variação na proporção dos RNs que evoluem para doença limiar, mas em torno de 5-10% daqueles em risco irão se beneficiar do tratamento, ou seja, 700-1.400 crianças por ano. 

O I Workshop de Retinopatia da Prematuridade foi dividido em três partes. Na primeira, foram realizadas conferências sobre a ROP como causa de cegueira no Brasil e América Latina, fatores de risco, classificação, critérios de triagem, patogênese, epidemiologia, tratamento, orientação sobre o desenvolvimento visual em RNs prematuros com baixa visão, experiências com a implementação de programas de ROP em Recife, Rio de Janeiro e Bucaramanga (Colômbia) e criação de banco de dados.

A segunda parte do evento foi dedicada ao estudo da situação da ROP no Brasil. O sistema de saúde do País é complexo, admitindo vários níveis de gerência governamental. Os níveis de cuidados neonatais diferem muito entre os diversos setores e entre os diversos estados e não há informação disponível sobre a realidade do setor privado neste particular. Estima-se que haja 900 neonatologistas treinados,

embora nem todos exerçam a atividade. O número de oftalmologistas treinados é grande e qualquer treinamento adicional para o diagnóstico e tratamento, com o propósito de expansão de programas pode ser implementado e dar resultados positivos em curto prazo. Nos grandes centros existe disponibilidade de oftalmoscópios indiretos, lentes, unidades de crio e de forma mais restrita, lasers.

Também foi constatado que existem programas excelentes para atendimento a bebês prematuros portadores de baixa visão em serviços universitários, hospitais públicos e instituições privadas, que atendem um grande parte das nascidos prematuros com baixa visão.No entanto, ficou clarodurante o workshop que essesprogramas ainda são em número insuficiente face à grande demanda.


Suel Abujamra, Andréa Zin e
Carlos Fernando Ferreira

No último dia do evento, os participantes foram divididos em 4 grupos (Norte-Nordeste, Sul, Sudeste-Rio e Sudeste-São Paulo) com o objetivo de definir programas de prevenção de cegueira por ROP para cada região, de acordo com as necessidades de recursos humanos e tecnológicos.
As principais conclusões do encontro foram:

- Existem programas de diagnóstico e tratamento com alto grau de excelência, sob a coordenação de oftalmologistas e neonatologistas em pelo menos 16 cidades brasileiras;
- Duas cidades estão expandindo respectivos programas de prevenção da cegueira causada pela ROP: Recife e Rio de Janeiro;
- Joinville já está examinando 100% dos nascido com PN< 1.500g;
- Muitas unidades ainda não tem qualquer programa neste sentido;
- Os programas estão sendo implementados de formas muito distintas e os critérios de triagem, protocolos, e formulários de exame variam de unidade para unidade;
- Os tratamentos realizados em quase todas as unidades em que existem, utilizando crio ou laser, têm bons resultados;
- Programas para orientação do desenvolvimento visual devem ser integrados aos programas de diagnóstico e tratamento de ROP para estimular o desenvolvimento da visão e prevenir o agravamento da perda visual em recém-nascidos prematuros;
- Existem programas de habilitação visual de alta qualidade (estimulação visual precoce);
- O complexo sistema de saúde do País dificulta a expansão de programas;
- Há necessidade de novas pesquisas.

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