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Hierarquização
dos procedimentos oftalmológicos: o diálogo continua

Edmund Chada Baracat (secretário geral da
AMB), Amilcar Martins Giron (1º tesoureiro da AMB), Suel Abujamra
(presidente da AMB), Paulo Cesar Fontes (presidente da SBO), Flávio
Rezende e Celso Marra (integrantes do CBO-Convênio) numa das reuniões para
debater a hierarquização dos procedimentos oftalmológicos.
O Conselho Brasileiro de
Oftalmologia integrará o Conselho Deliberativo da Associação Médica
Brasileira nos próximos três anos, representado pelo seu presidente. A
eleição do CBO e de outras treze sociedades de especialidades foi
realizada em 19 de março, durante a reunião do Conselho Científico da AMB,
que também discutiu a apresentação da Classificação Hierarquizada de
Procedimentos Médicos e a condição da consulta, se deve ser diferenciada
ou isonômica.
Na reunião anterior, em
18 de dezembro de 2002, ficou decidido que as sociedades de especialidade
encaminhariam à AMB sugestões a respeito das consultas. O Conselho
Científico decidiu que a AMB encaminhará a todas as sociedades de
especialidade um documento para que os respectivos presidentes emitam
posicionamento oficial.
A proposta da Comissão
Nacional de Honorários Médicos (CNHM) sobre a forma de apresentação da
Classificação Hierarquizada de Procedimentos Médicos também foi debatida.
O presidente do CBO, Suel Abujamra, teceu críticas sobre a Classificação
Hierarquizada que está no site da AMB para consulta pública e foi decidido
que as sociedades receberão novamente o documento para a realização de
estudos e sugestões.
Ao término da reunião
ocorreu a eleição para as 14 Especialidades que irão integrar o Conselho
Deliberativo da AMB nos próximos três anos. As Especialidades votadas
foram: Conselho Brasileiro de Oftalmologia, Sociedade Brasileira de
Pediatria, Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Sociedade Brasileira de
Anestesiologia, Sociedade Brasileira de Nefrologia, Academia Brasileira de
Neurologia, Sociedade Brasileira de Urologia, Federação Brasileira das
Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia, Colégio Brasileiro de Radiologia,
Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação, Colégio Médico de
Acupuntura, Sociedade Brasileira de Cirurgia Cabeça e Pescoço, Sociedade
Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial e Sociedade
Brasileira de Geriatria e Gerontologia.
“As negociações para a
efetivação da hierarquização dos procedimentos médicos continuam e embora
estejam difíceis, creio que serão benéficas para a Oftalmologia
Brasileira. Sabemos que a Oftalmologia tem peso importante nas despesas
dos planos de saúde e que é uma especialidade estratégica para toda a
medicina. Designamos colegas extremamente experientes para participarem
das discussões, estamos abertos ao diálogo, mas não podemos aceitar que
preconceitos possam prejudicar nossa especialidade”, declarou o presidente
do CBO, Suel Abujamra.
Distorções
De acordo com Nelson
Louzada, coordenador do CBO-Convênios, hierarquizar os procedimentos
médicos de todas as especialidades é uma tarefa de difícil solução. A AMB
está promovendo este trabalho com o apoio do CFM e todos os procedimentos
foram divididos em 14 portes com 3 subdivisões levando em consideração
quatro requisitos: habilidade cognitiva, habilidade técnica,
risco/responsabilidade e tempo.
Louzada argumenta que na elaboração da atual hierarquização dos
procedimentos, foi dado grande peso ao fator tempo.

Diretores da AMB dirigindo a reunião
de 19 de março. |
“A maioria dos
procedimentos cirúrgicos, em geral, não sofreu variação neste
quesito. Cirurgias de hérnia, apêndice, intestino etc., continuam
demandando o mesmo tempo há mais de 40 anos. O mesmo não ocorre com
a Oftalmologia. Da extra ção intra-capsular com ventosa ou pinça de
Arruga até a faco-emulsificação o avanço foi significativo”,
declarou. |
Louzada considera que nas
avaliações realizadas na cidade de São Paulo, vários colegas afirmaram aos
entrevistadores da FIPE que uma cirurgia de catarata dura poucos minutos
(5, 6 ou no máximo 7 minutos). Alguns afirmaram que não sangra, não tem
anestesista, não tem ponto, não tem curativo, não tem internação: “um ato
médico de grande sofisticação foi banalizado”, afirma.
| Acrescenta que na
elaboração da hierarquização que está divulgada na home page da AMB
e do CFM para discussão, a AMB parece ter considerado de forma
unilateral a quantidade de cirurgias oftalmológicas, depreciando-as
em relação às outras especialidades. Uma cirurgia de catarata está
nivelada com uma hérnia ou apêndice. Não foi levado em consideração
que um cirurgião de catarata normalmente só opera catarata e
raramente faz retina, vítreo, estrabismo, plástica ou outra
sub-especialidade. Já um cirurgião de hérnia sempre opera apêndice,
intestino, estômago etc |

Representantes da AMB e do
CBO-Convênios em reunião para debater a hierarquização dos
procedimentos da especialidade |
Além disso, para o
coordenador do CBO-Convênios, não foi levada em consideração a curva de
aprendizado que as constantes mudanças na Oftalmologia impõe, nem a alta
tecnologia envolvida, nem os custos com livros, congressos, cursos,
aprendizado de novas técnicas, paralisação das atividades próprias.
“Ao que tudo indica,
estamos diante de uma manifestação do entendimento equivocado de que os
procedimentos oftalmológicos são realizados por máquinas e que bastaria
ler o manual de instruções e aprender a operá-las”, conclue Nelson
Louzada.
Conclusão da Procuradoria Geral do Município de
Uberlândia: adaptação de lentes de contato é ato médico
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“Considerando a complexidade do ato de adaptação de lentes
de contato que exige um exame oftalmológico completo,
quais sejam: indicação, prescrição, adaptação e controle
da lente no olho do paciente. E, considerando, também que
é do conhecimento geral que a adaptação de lentes de
contato, feita diretamente pelas óticas, têm aumentado o
número de pacientes com doenças agudas ou crônicas da
córnea, chegando, por vezes, à perda total e irreversível
da visão dos usuários, concluímos que a adaptação de
lentes de contato é ato médico que só pode ser realizado
por médicos oftalmologistas, que são os únicos
profissionais, devido a formação acadêmica, capacitados
para detectar possíveis problemas relacionados com o uso
das lentes de contato.”
Esta é a
conclusão do Parecer da Procuradoria Geral do Município de
Uberlândia (MG), respondendo a uma consulta da
Coordenadoria de Vigilância em Estabelecimentos de Saúde
da Secretaria Municipal de Saúde. O parecer, assinado pela
Assessora Jurídica Jane Aparecida Teixeira Carrijo, pelo
Procurador Jurídico Irany Gonçalves da Costa e recebeu o
acordo do Procurador Geral do Município, Marcos José
Vedevoto, foi divulgado em 06 de março.
O parecer
fundamenta sua conclusão na análise legal e médica do
problema. Ressalta que a polêmica sobre adaptação de
lentes de contato vem sendo travada em todo o País e que,
por vezes, a legislação torna-se dúbia.
“Verificada a controvérsia existente a respeito do assunto
em pauta e as teses de defesas dos contatólogos e médicos
oftalmologistas, passamos à análise do ato de adaptação de
lentes de contato propriamente dito. A adaptação de lentes
de contato envolve um exame oftalmológico completo, quais
sejam: indicação, prescrição e controle da lente no olho
do paciente. A intervenção direta do médico oftalmologista
é necessária, uma vez que uma lente mal adaptada pode
ocasionar problemas por diminuição da oxigenação da
córnea, por reações alérgicas e tantas outras complicações
que vão desde simples conjuntivites à úlceras de córnea
que podem levar à perda da visão do usuário”, continua o
parecer.
O parecer
das autoridades de Uberlândia menciona a manifestação do
Conselho Federal de Medicina que estabeleceu que para a
adaptação de lentes de contato envolve atos médicos. Por
fim, cita os entendimentos do Tribunal de Impostos e Taxas
do Estado de São Paulo, que tem isentado os
oftalmologistas que adaptam lentes de contato em seus
consultórios do imposto sobre circulação de mercadorias e
do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e do Superior
Tribunal que vão pelo mesmo caminho.
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