Discurso de Suel Abujamra, presidente do CBO, na Sessão Solene de Abertura do 15º Congresso Brasileiro de Prevenção da Cegueira e Reabilitação Visual

Há um ano fomos honrados com o voto de confiança dos amigos oftalmologistas para dirigir nosso querido Conselho Brasileiro de Oftalmologia. O Elisabeto Ribeiro Gonçalves, o Mário Luiz Ribeiro Monteiro, o Samuel Cukierman, o Henrique Kikuta e eu nos sentimos profundamente orgulhosos e agradecidos com missão tão nobre e estamos cientes da grande responsabilidade de continuar a obra dos ilustres colegas  que nos antecederam e ajudaram a construir a Oftalmologia Brasileira.

Temos nos dedicado com o melhor de nossos esforços para cumprirmos a responsabilidade que nos foi delegada. Nesses 61 anos de existência, O CBO tem contribuído de maneira decisiva e eficaz para o crescimento científico da Oftalmologia Brasileira. Nossos congressos têm acumulado sucessos indiscutíveis, funcionando como uma rica fonte de conhecimentos e de sabedoria para todos nós e para aqueles que os prestigiam e os enriquecem com suas presenças. Esses congressos também permitem a saudável prática do reencontro com velhos e bons companheiros, a conquista de novos amigos e, igualmente, funcionam como estímulo para vencer desafios e plantar sonhos de realizações e transformações. Estamos realizando o nosso 15º Congresso Brasileiro de Prevenção da Cegueira e Reabilitação Visual com cerca de 3.200 participantes.

Quero aproveitar para agradecer e destacar os esforços daqueles que compõem a Diretoria do CBO coordenando comissões - Carlos Fernando Ferreira, João Agostini Netto, Marco Antônio Rey de Faria, Oswaldo Moura Brasil, Henrique Shiguekiyo Kikuta, Marcos Ávila, Newton Kara José, Homero Gusmão de Almeida, Jorge Alberto Fonseca Caldeira, Ana Luísa Höffling de Lima, Carlos Alexandre Garcia, Geraldo Vicente de Almeida, Hamilton Moreira, Márcio Bittar Nehemy, José Beniz Neto, Miguel Ângelo Padilha Velasco, Paulo Augusto de Arruda Mello, Paulo Perét, Wallace Chamon, Isaac Neustein, Carlos Ramos Souza Dias, Luiz Fernando Micuci, Elisabeto Ribeiro Gonçalves e Nelson Louzada. Em nomes desses colegas, quero agradecer e destacar o trabalho daqueles que integram as várias comissões. Quero agradecer de modo especial à Família Moreira por meio da presidente deste congresso, a competente, a querida e a admirável Saly Moreira, e ao seu marido, nosso professor doutor Carlos Augusto Moreira que, juntamente com a Comissão Executiva, nos presenteou com este brilhante evento. Nossos aplausos e agradecimentos aos incansáveis membros da Comissão Executiva: doutores Hamilton Moreira, Jayme Arana, Kenji Sakata, José Joaquim Júnior, Ivo Luvizotti e Jose Jorge Neto. Aos componentes do CBO Eventos: Claudete, Roberto, Renata, Tatiana, Márcia, Vital e Lúcia, que com extrema dedicação e capricho ajudaram a todos nos. Menção honrosa à Luciane Moreira e Michele Buquera.

Quero agradecer aos convidados internacionais por terem se deslocado de seus países para enriquecer o conteúdo científico deste nosso Congresso.

Vários propósitos nos trazem e nos unem aqui e entre esses destacamos a vontade de aprender, de renovar, confraternizar e, o mais nobre de todos, a preocupação em promover e defender a saúde ocular de nossos semelhantes. É esse o objetivo maior deste Congresso: estudar formas de prevenção da cegueira, num legítimo e verdadeiro ato de Solidariedade Humana.

Orgulhosamente sabemos que o Brasil é um dos países campeões na Solidariedade Humana. Existem cerca de 220 mil ONG’s voltadas ao resgate e valorização da Cidadania. Só no Conselho Nacional de Assistência Social existem 14 mil instituições filantrópicas cadastradas. Mas, infelizmente, o País também é um dos campeões mundiais de desigualdade social. E de todas as desigualdades, nenhuma é mais perversa que a cegueira.

Temos a profunda honra de ter conosco o símbolo maior da Solidariedade Humana brasileira, que é a nossa colega pediatra Dra. Zilda Arns, coordenadora da Pastoral da Criança, entidade responsável pelo atendimento a milhões de gestantes e crianças. Tão nobre, meritório e relevante é o trabalho da Pastoral da Criança, com a Dra. Zilda Arns à frente, que foi, por duas vezes, indicada pelo Governo Brasileiro para concorrer ao Prêmio Nobel da Paz. Qualquer coisa que se diga sobre o comovente trabalho desta grande organização é pouco. Destaco algumas palavras da Dra. Zilda Arns:

“A solidariedade tem de ser globalizada entre as pessoas, comunidades e países. Ninguém é feliz sozinho”.

“Enquanto existirem pobres e miseráveis no Brasil, ainda teremos que lutar bastante. Mas o caminho para a solução está dado”.

Orgulhosamente, lembramos que a Oftalmologia Brasileira também tem o seu quinhão de participação comunitária na redução das profundas desigualdades sociais que ainda imperam em nosso País. Nos últimos quatro anos, em parceria com os Ministérios da Saúde e da Educação, milhares de oftalmologistas de todo o Brasil, coordenados pelo CBO, realizaram mais de um milhão de procedimentos cirúrgicos prevenindo e curando a cegueira e também foram responsáveis pelo exame oftalmológico de milhões de crianças do primeiro ano do ensino fundamental, em campanhas e trabalhos que tiveram a marca do voluntariado, da otimização dos recursos financeiros e humanos disponíveis. Houve um progresso significativo na logística do atendimento oftalmológico e crescimento dos serviços credenciados em número e também em qualidade.

Nosso maior desafio, como já disse, é levar a assistência oftalmológica de qualidade para todos os brasileiros. Para conquistar este grande objetivo, além de nos prepararmos cientificamente, também temos que atuar em outros campos, notadamente nos campos político e social. 

Defendemos a interiorização do médico e da Medicina de qualidade, que será o resultado dos esforços unificados do governo, da sociedade e das lideranças médicas. Defendemos o estabelecimento de relações éticas entre os médicos e as empresas intermediadoras da assistência e, portanto, somos contra a exploração e o aviltamento da nossa profissão que, atualmente, parece ser a política dominante de um grande número de empresas. Defendemos a liberdade de escolha dos pacientes. Somos contra a proliferação de faculdades de medicina que atendam prioritariamente ao interesse econômico e não o social. Respeitamos o trabalho do CINAEM, que tem diagnosticado a baixa qualidade do ensino médico em significativo número dessas faculdades. Somos também a favor da conscientização e mobilização política e incentivamos a todos os colegas a exercerem plenamente o direito e dever de cidadãos em quaisquer eleições, escolhendo candidatos nos planos municipais, estaduais e federal que tenham sua conduta pautada pelos ditames éticos e possam alinhar-se conosco na grande e benemérita luta que é a promoção e defesa da saúde ocular de nosso Povo.

Estamos empenhados também na defesa das prerrogativas profissionais do médico oftalmologista, ameaçadas pelas reiteradas tentativas de determinados setores de entregarem a assistência oftalmológica primária a técnicos sem formação médica e ligados ao comércio ótico.

Como presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e como presidente de honra do 15º Congresso Brasileiro de Prevenção da Cegueira e Reabilitação Visual, quero agradecer a todos os presentes e desejar a todos um maravilhoso congresso. Tenho a certeza que dentro de alguns dias, todos sairemos da encantadora cidade de Curitiba melhores do que quando nela chegamos, melhores no sentido profissional, no sentido humano e em nosso compromisso de solidariedade com o Brasil, com seu Povo, com o seu desenvolvimento e sua prosperidade.

Frase de Hellen Keller: “não há melhor maneira de agradecer a Deus pela visão, do que ajudar a alguém que não a possui”.

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