Pesquisa revela cotidiano do residente de Oftalmologia
A pesquisa teve origem numa conversa dos realizadores com o Chefe do Departamento, Geraldo Vicente de Almeida, sobre o aproveitamento dos alunos e foi apresentada durante o Fórum de Residentes do IX Simpósio Internacional de Atualização em Oftalmologia da Santa Casa de São Paulo, ocorrido em julho de 2002. Os questionários foram distribuídos aos alunos da Santa Casa, USP, UNIFESP, Hospital Oftalmológico de Sorocaba, Servidor Público, Jundiaí, OSEC e ABC. Não houve identificação nas respostas. Entre os 82 pesquisados, 40% eram mulheres e 60% homens; 55% faziam o curso com bolsa e 45% sem remuneração e 55% não moravam com a família. Em 73% dos casos, as atividades no hospital começavam às 7:30 hs e em 72% dos casos terminavam entre 17 e 18 hs, sendo que em 28% das respostas foi indicado que o serviço hospitalar ia até as 19 hs. As atividades curriculares como plantões e reuniões científicas não foram incluídas no questionário. De acordo com os resultados da pesquisa, o estudante de oftalmologia tem aproximadamente cinco horas por dia para realizar suas atividades pessoais, sociais, de estudo e atividades extra curriculares. No item de aquisição dos conhecimentos, os resultados apresentados pela pesquisa foram: Em relação ao aprendizado ambulatorial, 23,2% responderam que aprendiam apenas com outros residentes, 58, 5% com residentes e assistentes e 18,3% apenas com os assistentes. No que diz respeito ao aprendizado cirúrgico, 60% dos que responderam à pesquisa afirmaram que aprendem com outros residentes, 27,8% com residentes e assistentes e 12,2% apenas com assistentes. “Foi uma pesquisa inicial, com resultados que nos surpreenderam” - afirmou Cristiano Caixeta Umbelino - “Acreditávamos que o residente de oftalmologia tem muito pouco tempo para aprofundar seus estudos e a pesquisa confirmou nossa hipótese. O tempo que ele passa no hospital e no trajeto de casa para o serviço, toma grande parte do dia”. Já para Marcela Cypel Gomes, embora o cotidiano de um residente de oftalmologia não seja muito diferente do que é vivido pela maioria dos paulistanos, os dados da pesquisa mostram que os cursos de especialização precisam efetuar mudanças internas para permitir o melhor aproveitamento de seus estudantes. “Acreditamos que nossa pesquisa precisa ser aprimorada e a amostragem precisa ser maior. Seria até bom que o CBO realizasse algo parecido em todos seus cursos de especialização para que pudéssemos conhecer as várias realidades regionais existentes no Brasil. O importante é que pudemos verificar, ainda que parcialmente, as condições de aprendizagem da Oftalmologia enfocando o lado do residente, seus problemas e dificuldades e que isto foi motivo de debates e polêmicas importantes que certamente terão desdobramentos positivos, concluiu Marcela Cypel Gomes. Marcela Cypel Gomes e Cristiano Caixeta Umbelino
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