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O projeto de nossa gestão previa que ela seria marcada pelo diálogo, participação da comunidade e união entre todos para alcançar nossos objetivos maiores ligados ao desenvolvimento da especialidade, tanto em seu aspecto médico-científico, como na defesa de suas prerrogativas profissionais, procurando uma democratização da assistência oftalmológica para toda a população. Passados estes dois anos, registramos que pretendíamos realizar muito mais do que pudemos concretizar, mas estamos profundamente satisfeitos com o que conseguimos, levando em consideração as condições nas quais tivemos que atuar. Os desafios continuam, mas tenho certeza que a classe oftalmológica irá vence-los. Nossas comissões permanentes cumpriram seus objetivos. No ensino e na elevação do nível científico da especialidade estiveram extremamente ativas e mudanças estruturais foram realizadas. Foram realizadas duas Provas Nacionais de Oftalmologia e um Exame de Habilitação ao Título de Especialista em Oftalmologia. Foram emitidos 696 títulos de especialista e sete títulos pan-americanos. Foram realizadas várias visitas para vistoriar as condições de ensino de cursos credenciados. Foram tomadas decisões corajosas para condicionar o credenciamento de novos cursos e o aumento do número de vagas dos cursos já credenciados às necessidades sociais e, a partir de janeiro, a Prova Nacional de Oftalmologia e o Exame de Habilitação ao Título de Especialista foram unificados (sendo que os candidatos que não frequentaram nossos cursos credenciados terão que prestar uma prova prática). São medidas que valorizam, cada vez mais, o Título de Especialista e favorecem a melhoria constante do Ensino da especialidade. A realização do 15º Congresso Brasileiro de Prevenção da Cegueira e Reabilitação Visual, em setembro de 2002, em Curitiba, sob a presidência competente de Saly Moreira, representou outro marco na difusão do conhecimento científico acumulado dentro da Oftalmologia. Também não pode ser esquecido a edição dos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, uma das mais importantes publicações da medicina em nosso País que, nestes dois anos, aprimorou-se a cada número no debate e na divulgação do que existe de mais atual em nossa especialidade. Os representantes das Sociedades Filiadas ao CBO souberam manter acesa a chama do interesse científico em suas respectivas subespecialidades, ao mesmo tempo em que foi mantida a compreensão sobre a importância da unidade dentro da diversidade, onde o respeito pela autonomia não interfere na ação conjunta para a concretização de objetivos comuns. Motivo de orgulho para todos nós foi a consolidação do Brasil como sede do Congresso Mundial de Oftalmologia de 2006. Esta conquista, que muito devemos ao Professor Rubens Belfort Junior, é a demonstração do grau de importância da Oftalmologia Brasileira junto às entidades internacionais da especialidade. Por outro lado, as comissões voltadas para a defesa das prerrogativas profissionais dos médicos especialistas atuaram em várias frentes. O CBO manteve uma luta cotidiana contra a prática da optometria por profissionais sem formação médica ligados ao comércio ótico, que se desenvolveu no terreno jurídico e político. No terreno jurídico, graças ao trabalho de nossa Assessoria, obtivemos várias vitórias que vão formando uma jurisprudência cada vez mais sólida na salvaguarda da saúde ocular da população, seja na prescrição de lentes, seja na adaptação de lentes de contato. No terreno político, ampliamos nosso trabalho de conscientização das autoridades ligadas à área da saúde sobre os riscos inerentes à tolerância à ação ilegal de grupos de óticos que prescrevem óculos e adaptam lentes de contato. Nos últimos meses, a atenção do CBO voltou-se para a área universitária, para impedir a proliferação de cursos superiores de optometria e para bloquear o funcionamento dos já existentes. Provavelmente seja esta a área que demandará maiores esforços do CBO nos próximos meses. Passamos uma fase de mudança governamental político-partidária, porém mantivemos com os ministérios da Saúde e da Educação um contato contínuo para defender nossas campanhas comunitárias de saúde ocular: Catarata, Retinopatia Diabética e Olho no Olho. Estamos nos integrando, progressivamente, junto ao Ministério da Saúde, ao MEC e ao Ministério do Trabalho para a continuidade e o aprofundamento das ações da Oftalmologia Brasileira. Estamos conscientes da
necessidade de termos uma Frente Parlamentar de Defesa da Saúde Ocular e
já demos início às articulações necessárias para a sua formação e
consolidação deste projeto político. O Oftalmologista tem como responsabilidade exclusiva cuidar, promover e proteger a saúde ocular da população brasileira. Temos conseguido manter estas obrigações graças à determinação de gerações de médicos oftalmologistas do passado. Estamos honrando o legado histórico que recebemos e o estamos transmitindo às gerações mais jovens. É um privilégio sermos oftalmologistas, pois cuidamos de um dos sentidos mais nobres da vida. Meus parabéns e meus abraços a todos os oftalmologistas brasileiros e, juntamente com a diretoria formada por Elisabeto Ribeiro Gonçalves, Mário Luiz Ribeiro Monteiro, Samuel Cukierman, Henrique Shiguekiyo Kikuta e Adamo Lui Netto, agradecemos a confiança em nós depositada para gerir nossa entidade máxima, que é o Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Agradeço também ao emprenho dos funcionários do CBO, que se desdobraram para colocar em prática as metas estipuladas. Ocupar a presidência do CBO foi uma experiência muito enriquecedora e muito forte, pois procuramos nos conduzir de forma sábia e dedicada. No XXXII Congresso Brasileiro de Oftalmologia, em Salvador, onde renovaremos nossos projetos para que nossos sonhos se transformem em realidade. Obrigado Suel Abujamra
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