PROJETO AMAZÔNIA VISÃO 2000
Um olhar na Amazônia...

 

“Os índios brasileiros e a população ribeirinha da Amazônia estão enxergando melhor”

Com o intuito de promover educação para a saúde à população ribeirinha do Rio Amazonas foi concebido em 1995 e iniciado em 1997 o Projeto Amazônia - Visão 2000 que tem como idealizadores e coordenadores nacionais o Prof. Dr. José Ricardo C. L. Rehder, Chefe e Titular da Disciplina de Oftalmologia da Faculdade de Medicina do ABC – SP, e o Tenente Coronel Médico Dr. Halmélio Sobral Neto, Presidente do Banco de Olhos do Hospital das Forças Armadas de Brasília – DF. A viabilidade deste projeto resultou de uma parceria entre Universidade, Governo e iniciativa privada.

Conhecendo o Projeto

A Amazônia Legal

A região Amazônica foi escolhida por ser hoje uma realidade geomorfológica, biológica e social ímpar em todo o planeta.

A Amazônia Legal compreende os estados do Acre, Rondônia, Amazonas e Pará, os territórios de Roraima e Amapá e parte dos estados de Maranhão, Goiás e Mato Grosso. Localizando-se na zona equatorial abrange aproximadamente 3 milhões de quilômetros quadrados de extensão. A enorme área da região Amazônica juntamente com a baixa densidade demográfica causam dificuldades de transporte, acesso e comunicação.

A falta de saneamento básico e programas de prevenção à saúde resultam em dificuldades sociais e de saúde, dentre elas os problemas relacionados à área da saúde ocular.

Além disso, a região amazônica apresenta altos níveis de parasitoses, tuberculose, hanseníase, malária e viroses.

Vários aspectos visuais e oftalmológicos de grupos indígenas brasileiros têm sido estudados, tais como a visão de cores, as manifestações oculares em doenças tropicais, o estado refracional, a biometria ocular axial, pterígio, catarata e a prevalência de glaucoma.

A necessidade de se implementar programas de prevenção à cegueira, englobando ações de promoção da saúde ocular e prevenção de distúrbios oftalmológicos nesta região do país é evidente. Com certeza, o custo destes programas será muito menor para a comunidade do que o custo representado por indivíduos portadores de cegueira evitável. Programas e estratégias dirigidos à conservação ou à restauração da saúde ocular se enquadram perfeitamente na estratégia geral de atenção primária.

Objetivo do Projeto Amazônia-Visão 2000

Levar à população ribeirinha do Rio Amazonas e aos grupos de aldeiamento Indígena da região um programa de Saúde Ocular e Prevenção da Cegueira, visando:

  • Viabilizar a implantação das ações de saúde ocular em nível da atenção primária de saúde

  • Reduzir a incidência de cegueira através do diagnóstico precoce e tratamento das doenças oculares

  • Realizar pesquisas operacionais básicas, experimentais para subsidiar a implantação e avaliação do projeto

  • Conscientizar os profissionais da área da oftalmologia para a importância das ações de saúde ocular

  • Incentivar o desenvolvimento da tecnologia apropriada

Histórico

O projeto iniciou-se com a idealização conjunta do Prof. Dr. José Ricardo C. L. Rehder e do Dr. Halmélio Sobral Neto que foram aos Estados Unidos apresentar a proposta para a Fundação Alcon, que imediatamente apostou na idéia e pediu que a Alcon Laboratórios do Brasil, fabricante de equipamentos e medicamentos oftalmológicos, trabalhasse em parceria com os brasileiros.

Desde então, os patrocinadores investiram em medicamentos, material cirúrgico e equipamentos de última geração para equipar os dois navios-hospital (NASH Oswaldo Cruz e NASH Carlos Chagas) mantidos pelos Ministérios da Saúde e Marinha e transformá-los em Hospital Oftalmológico Flutuante.

Planejado para ser realizado a partir de 1997, ocorrendo anualmente em um período de 30 a 40 dias. A partir de 2000 passaram a ser os patrocinadores e parceiros neste projeto Allergan Produtos Farmacêuticos Ltda e Mediphacos Ophthalmic Professionals.

Coordenação e Participação
  • Faculdade de Medicina do ABC – SP

  • Banco de Olhos do ABC - SP

  • Hospital das Forças Armadas (HFA) de Brasília- DF

  • Banco de Olhos do HFA

  • Sociedade Paraense de Oftalmologia

  • Ministério da Marinha – Comando do 4º Distrito Naval

  • Hospital Naval Marcílio Dias - RJ

  • Ministério da Saúde

  • Secretaria Estadual de Saúde do Pará

  • Secretaria Estadual do Amazonas

  • Alcon Laboratórios do Brasil

  • Allergan Produtos Farmacêuticos Ltda

  • Mediphacos Ophthalmic Professionals


Faculdade de Medicina do ABC


Hospital das Forças Armadas (HFA) de Brasília


Etapas Realizadas e Resultados

1ª Etapa – Índios Karajá e Tapirapé
O atendimento foi realizado em 7 aldeias indígenas localizdas entre as cidades São Félix do Araguaia e Sta Terezinha, Rio Araguaia, nas margens da ilha do Bananal. Foram examinados 200 índios das tribos Karajá e Tapirapé, 80 submetidos à cirurgia; 70 óculos doados e 50 atendidos por outros problemas oftalmológicos.

2ª Etapa – Índios Xavante e Bororó
A aldeia escolhida localiza-se junto a uma das margens do rio Araguaia, em Barra do Garça. O conflito de interesses no local dificultou, mas não impossibilitou nosso trabalho. A maioria dos caciques não vê com bons olhos os tratamentos da medicina tradicional, mas as dificuldades foram superadas sendo visitadas 16 aldeias de índios Xavante e Bororó, onde se examinou 900 índios, 100 submetidos à cirurgia, 90 óculos receitados e aproximadamente 700 tratados por outras alterações oculares.

3ª Etapa –Ilha de Marajó
Atendidos 672 ribeirinhos das localidades de Soure, Santa Cruz do Arari, Cachoerinha do Arari, Ponta das Pedras e Salva Terra. Aviados 273 óculos e 94 cirurgias foram realizadas. Observou-se uma incidência de 21,93% de glaucoma e 16% de pterígio e realizados 2 transplantes de córnea.

4ª Etapa – Transamazônica - Altamira
Região do rio Xingú. Atendidos 1500 ribeirinhos, 140 cirurgias, 1000 óculos doados.

5ª Etapa – Pólo Xingu – Trombetas
Realizou-se 2844 atendimentos, 875 óculos doados e 80 cirurgias.

6ª Etapa – Pólo Jarí – Tapajós
Atendidas 1455 pessoas das quais 900 receberam óculos e 100 foram submetidas à cirurgia.

7ª Etapa – Pólo Madeira
Atendidas 1631 pessoas das quais 1000 receberam óculos 65 cirurgias realizadas.

8ª Etapa – Manaus – Tabatinga
Atendimento de 1700 pacientes, 500 óculos e 120 cirurgias realizadas.

9ª Etapa – Pólo Xingu – Trombetas
Atendidos 3000 pacientes e aproximadamente 150 cirurgias realizadas.

10ª Etapa – Rio Purus
Realizados aproximadamente 1500 atendimentos e 90 cirurgias.

Imagens do Projeto


Presentes ganhos pela equipe

Oca com tabela de acuidade visual


 
Equipe de oftalmologia e da marinha

      
Oftalmologistas da marinha fazendo atendimento

Alselmo Sobral Neto, Ricardo e
representante da Funai no Parque do Xavante

Equipe do Projeto junto ao aviso NASH
Osvaldo Cruz

Hospital Oftalmológico Flutuante

O Projeto Amazônia-Visão 2000 utiliza 3 navios de assistência hospitalar (NASH) do Ministério da Saúde, NASH Carlos Chagas, NASH Oswaldo Cruz e Com. Montenegro que são coordenados pelo 4º Comando Naval da Marinha Brasileira e que desde 1984 desenvolvem atividades assistenciais em medicina, odontologia e ações preventivas na região. A parceria facilita o trabalho da equipe do projeto, que tem condições de chegar com maior facilidade, com o uso de lanchas e helicóptero, às localidades mais distantes das margens do rio.

Os navios são transformados em hospital oftalmológico flutuante com equipamentos de última geração na área da oftalmologia tendo a possibilidade de executar desde consultas e orientações preventivas até as mais complexas cirurgias e tratamentos oftalmológicos.


Viabilidade, Perspectivas e a Realidade Atual do Projeto

O Projeto Amazônia – Visão 2000 é viável devido:

  • Existência de equipe treinada e capacidade a desenvolver o projeto para atingir os objetivos traçados.

  • Realidade da Saúde Ocular na região ribeirinha do Amazonas e dos grupos de aldeiamento indígena da região do Amazonas.

  • Não existência de um projeto similar na região.

  • Necessidade de integração da população alvo na comunidade e da região com o restante do país.

  • Comprometimento de apoio e participação das várias entidades envolvidas no projeto.

Após estes primeiros anos de desenvolvimento do projeto pode-se constatar a importância e a necessidade de parcerias para se promover a saúde ocular nas mais distantes regiões deste país, onde, muitas das vezes levamos e conseguimos resgatar a cidadania de muitas pessoas descrentes e conformadas com a situação em que vivem.

É preciso, através de projetos como este, mostrar à sociedade que obstáculos podem ser sempre superados quando existe vontade, determinação e união, como evidenciado no trecho da música de Chico Buarque:

“Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer”

PROJETO AMAZÔNIA VISÃO 2000
Um olhar na Amazônia

"A visão é um dos sentidos mais desenvolvidos e a sua perda, ou mesmo deficiência,
pode causar devastadores efeitos físicos, psicológicos, sociais e econômicos"

Prof. Dr. José Ricardo C. L. Rehder
Professor Titular e Chefe da Disciplina
de Oftalmologia da FMABC
Professor Adjunto Doutor da UNIFESP – EPM
Dr. Rodrigo Interlandi Angelucci
Médico Colaborador da Disciplina
de Oftalmologia da FMABC
Pós Graduando, Mestrado
Profissionalizante, UNIFESP - EPM

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