Cada um de nós precisa ser um Líder em tempo integral
Qual o principal desafio que cada médico oftalmologista do Brasil enfrenta neste momento histórico?
Exercer de forma ética a liderança proporcionada pelo conhecimento técnico-científico que detém, em benefício da saúde ocular da população e da valorização da especialidade que exerce! Longe de ser uma frase de efeito, acredito que essa resposta deve ser objeto de reflexão.
O Brasil é formado de inúmeras realidades geográficas, sociais, culturais e econômicas. Em nossos oito milhões e meio de quilômetros quadrados, 27 unidades federativas e 5.561 municípios encontramos locais onde a assistência oftalmológica é excelente e em outros onde é completamente ausente. Encontramos cidades onde optometristas atuam de forma aberta e arrogante, sem qualquer preocupação com a legislação em vigor ou com a saúde ocular da população. Encontramos situações nas quais os honorários médicos são equacionados de forma civilizada pelas partes envolvidas e situações nas quais empresas intermediadoras implantam a lei da selva e a concorrência predatória entre clínicas. Encontramos regiões onde as relações com os diversos níveis do Poder Público são excelentes e produtivas e regiões onde são péssimas e negativas. E em cada um destes tópicos, assistimos a um sem número de situações intermediárias e variáveis no tempo.
Desta forma, o que é problema num ponto, não está no horizonte das preocupações em outro.
Diante desta realidade multifacetada e extremamente rica, cada médico oftalmologista tem o desafio de exercer sua liderança perante a comunidade a que pertence, associar-se aos colegas para atuar nas entidades médicas, comunitárias e políticas em benefício da saúde ocular e da valorização da profissão que exerce, relacionar-se com os vários públicos que compõem a sociedade para estabelecer bases sólidas para sua atividade.
Houve tempo em que a escassez de médicos tornava possível a atitude daqueles que apenas se preocupavam com seus consultórios e clínicas, que seriam procuradas pelos pacientes, de uma forma ou de outra. Nesse tempo, os esforços despendidos em atividades que não fosse o diagnóstico e a terapia eram desnecessários e encarados por muitos como desperdício da verdadeira vocação médica.
Este tempo passou e não voltará. Por isto, cada médico oftalmologista deve enfrentar o desafio de desdobrar-se e atuar na realidade social em que está inserido. É fácil? De forma alguma, mas as consequências da omissão são muito piores. E além disso, cada médico oftalmologista de qualquer lugar do país sempre poderá contar com o apoio de sua entidade representativa maior: o Conselho Brasileiro de Oftalmologia.
Paulo Augusto de Arruda Mello
Presidente do CBO - Gestão 2009/2011 |